Arquivos da Categoria: Contos e Poemas

ANTES DE TUDO

José Araujo de Souza

Antes de tudo fazer

é preciso cavalgar o vento

mais forte em feroz corrida

e sentir passar pelo corpo

o arrepio do medo

na velocidade da luz.

Antes de tudo querer

é preciso retirar do peito

o suspiro mais fundo

e sentir que perdeu

toda a vida

a vida inteira

num segundo.

Antes de morrer

é preciso saber que deixou

como herança

a lembrança de alguma coisa

que se foi

e que merece ser lembrada:

você!

SAUDADE INFINITA


José Araujo de Souza


Uma saudade infinita não me deixa
mais, após aquela noite
desfeita, sem rima
e sem vento.
Uma saudade tão forte
tomou conta do meu peito
que hoje levo comigo
por todo e qualquer lugar
em que me deite.
É tão insistente a saudade
que mesmo quando respiro
o ar se torna suspiro
os olhos se enchem de água
e nasce o pranto, calado,
que nada pode acabar.
Uma saudade infinita
aos poucos se faz maldita
e tenta assim
me matar.

Arestas


Jéssica de Souza Carneiro


Refuto aqui a ideia de Freud de que Deus é um pai castrador.
Essa crença separa, desune, assusta, cerceia. O meu Deus é composto
de três elementos. O primeiro deles é o amor. O outro é a bondade;
depois, a natureza.
Para mim, ter fé é andar pelo mundo, conhecer os abismos e
não cair… Não machucar feridas alheias e não ferir a si próprio.
Não devo me queixar de nada. Devo fazer por merecer ser
aquilo que sou, ter o que conquistei… Colher na Terra o que plantei
nela e tentar, por mérito próprio, no céu, alcançar o sol, mas não um
sol que pune, e sim um sol que premia.
As pessoas duvidam disso, embora acreditem cegamente em
visões muito mais turvas e embaçadas.
Deixam-se levar pela maré, pela constância da verdade absoluta,
pela segurança da sanidade inconteste.
Se um dia eu pudesse endoidecer desse amor que é Deus… Eu
veria tudo branco, como a cor da luz que escapa pelas arestas, como a
cor envolta dos teus olhos, como a cor da minha lucidez agora.

CARNEIRO, J. S. . Arestas. In: Diretoria de Apoio à Cultura Proex/UFPA. (Org.). II Prêmio Proex/UFPA de Literatura Antologia POesias, Crônicas e Contos. 22ed.b: UFPA, 2011, v. 2, p.

PINTURA

José Araujo de Souza

Para sentir tua presença

quando já não estavas aqui,

fiz teu retrato na minha mente

para prender-te, comigo.

Fiz o teu sorriso mais puro

com uma tamanha beleza,

que  eu até sorri, contigo.

Fiz tua boca pequena

para cobri-la de beijos

à noite, quando quisesse.

Fiz tuas mãos tão suaves

colocadas de tal forma

que eu pudesse tocá-las.

Fiz o teu corpo moreno

cabendo todo na tela.

Fiz a pintura

de forma tão primorosa

e com tantos detalhes lindos

que ao lembrar meus sonhos, findos,

chorei meu pranto mais triste,

com toda a minha tristeza

nascendo da tua ausência.

PARA NUNCA MAIS CHORAR

José Araujo de Souza

Eu te esperarei

 com toda a ansiedade de te ver

e com a saudade de te ter

outra vez, comigo.

Eu te esperarei

com os meus braços abertos

num abraço apertado

que terei guardado, em mim.

Eu te esperarei

sem sentir nenhum cansaço

para andar contigo, passo a passo,

até que a eternidade nos encontre.

Eu te esperarei

como criança à espera de um carinho

para não mais estar,nunca mais, sozinha

e nunca mais te deixar, em solidão.

Eu te esperarei,

pois quando tu voltares

toda a alegria voltará contigo

e os meus olhos nunca mais

chorarão.

Carolina

Carolina
Machado de Assis

Em yêu, dưới chân chiếc giường cuối cùng
Khi bạn nghỉ ngơi sau cuộc sống lâu dài đó,
Tôi đến rồi sẽ đến, tội nghiệp,
Mang đến cho bạn trái tim của người bạn đồng hành.

Đó là tình cảm thực sự
Điều đó, bất chấp tất cả các bài đọc của con người,
Làm cho sự tồn tại của chúng tôi trở nên đáng mơ ước
Và anh ấy đã dồn cả thế giới vào một góc.

Tôi mang cho bạn những bông hoa – mảnh vụn được nhổ
Từ mảnh đất đã chứng kiến ​​chúng ta cùng nhau vượt qua
Và bây giờ cái chết rời bỏ chúng ta và chia lìa.

Đó là tôi, nếu tôi có đôi mắt xấu
Suy nghĩ về cuộc sống được hình thành,
Chúng là những suy nghĩ đã biến mất và đang sống.

Miséria e seu Eterno Retorno

Jamile Santos Lago

Quando tinha por volta de 4 ou 5 anos, percebi pela janela de um coletivo um garoto  cheirando cola e deitado no teto de uma parada de ônibus. Foi chocante. Por volta de dois anos atrás, ou menos, não lembro, avistei pela janela de um coletivo um homem e um adolescente em uma carroça, o mais novo estava cheirando cola.

No ano em que eu estava fazendo preparatório para o vestibular, uma adolescente que  aparentava ter minha idade estava vendendo bombons no ônibus no qual me encontrava. Todo o dia quando vou à aula, me assusto com o mesmo deficiente que fica sentado numa

esquina de uma imensa avenida da cidade. Ele fica ali a pedir esmolas. Aquele homem é pavoroso, aquela situação é pavorosa. Na estação de ônibus da Universidade sempre há algum “louco” ou um esquecido abandonado com uma estética alarmante.

Da janela da minha habitual condução, a caminho da aula, contemplo uma cidade à parte, parece abandonada, porém é bem povoada, são corpos, pensamentos, operários, esperanças, sonhos e crianças. Há muitas crianças, e creio que várias perambulam pelo centro urbano, engraxando botas, limpando párabrisas, fazendo malabares.

Sempre esbarrava com um garoto que vagava nos bairros de maior referência. Com uma voz rouca, uma roupa além de grande por tamanho natural, também era alargada pelo tempo, aquela roupa deveria ter uma densa história arraigada, escurecida pela poeira, deveria trazer os odores da vida, da vida daquele garoto. Seus olhos eram vermelhos, mas sua visão não era marejada por pranto. Então seriam vermelhos por ódio? O mais provável: um entorpecente qualquer. Tal garoto deveria drogar-se incansavelmente.

Certa vez ele passou às pressas, corria bastante, e atrás um segurança de loja. O jovenzinho foi puxado pela gola da camisa, “ladrãozinho!”.

Ele havia roubado um cordão de ouro. A vítima passava a mão no pescoço e chorava, por dor, revolta, talvez. O garoto chorava desesperadamente, “tio, não fui eu”.

Uma criança que muito sabe da vida, com sua ingenuidade comprometida, chorava desesperadamente, “tio, não fui eu, não fui eu”.

A vida ensina-nos a mentir… Ou a mentira é uma herança que já trazemos de berço? Mas será que o garoto teve berço? Dúvida.

Pessoas e opiniões: “os pais, apedreje-os”, “Estado, o culpado”, pessoas e opiniões: circulares. E isso espanta, porque a todo o momento vejo a repetição paradoxalmente entrecruzada com a passagem, com envelhecimento, com a queda do que é antigo, com florescimento da morte catalogada em páginas de jornal. As coisas passam, e uma essência

permanece, uma essência medíocre, esteticamente horrenda e mal cheirosa, mas que merece contemplação, estaticamente move-se a um fim que parece nunca terminar.

Ver-a-feira

Jacqueline Lima Coelho Sampaio

Menino que corre

Que corre, que anda

Seu andar é o correr

Por entre feirantes, cachorros, gatos

Olha o monte de lixo!

Dribla os obstáculos com a maestria que a condição de moleque

travesso proporciona a ele

O cheiro da fruta, do chorume

Os mendigos com seus dialetos próprios

Ignora a tudo, correndo como o único louco lúcido do lugar

A feira ferve – é dia de peixe fresco e promoção

Alheio a tudo ele corre, brincando com outras crianças

Sozinho também vale

E todo o fascínio daquele monte de gente a comprar

Como compram os capitalistas!

Ele só quer correr, só quer brincar

Esquecer a pobreza, o pai ausente, a mãe que bebe e o chiclete que

deveria vender no sinal

A feira fervilha de gente e de bicho

Ele se fascina com tudo e corre, liberto dos problemas terrenos

Precisa apreciar enquanto não cresce (crescer é o problema)

Só o seu olhar infantil ainda captar a magia daquele lugar

Pulsa como um coração aquela feira

Ele é só célula, vagando, sendo jogado para lá e para cá a cada pulsar

E isso acaba

O Sol desce no horizonte e acaba

O mundo está ficando tão silencioso!

Ao voltar ao barraco, próximo ao Ver-o-Peso, ele apanha

-Safado! Não vendeu nenhum chiclete?

Não importa…

Os ferimentos ardem, mas não importa

Vale a pena viver um sonho

Vale a pena ser um pássaro livre que cheira a priprioca

Dorme, exausto

Amanhã é outro dia e a feira fervilhará de vida

O coração vai pulsar uma vez mais

Partida

Mônica de Nazaré da Costa Pereira


Cantei uma cor que compus pra ti
Misturei a um leve aroma de lírios
Ao corpo quase nu daquela manhã.
Era cedo
Partias…
Na boca a cor, o vermelho que me mentias,
No quarto o velho quadro com tintas que nunca escrevi.
Era cedo
E o sol amarelava seu sorriso pouco
Tato
Manha
Mato
A parte de mim neguei em ti
Teu sangue maculado.
P

EFEITOS DA ARROGÂNCIA

Publicado em agosto 6, 2020 por poetateixeira em Uncategorized

Nos efeitos da arrogância, do orgulho, assim como da embriaguez que o poder provoca. Estão presentes o do formol, do antibiótico, da anestesia, do soro antiofídico, (até mesmo por que ele, é a própria víbora) do analgésico, enfim, de uma infinidade de produtos químicos, que deixa a pessoa imune e com super poderes, alimentados pela vaidade. Não é difícil de encontrar, pessoas dotadas, com esses super poderes, como super heróis da indústria cinematográfica. Basta sair por aí, interagir com os supostamente semelhantes, que serão identificados. Esta é uma das maiores epidemias, a causar sérios danos, em toda humanidade.

A vaidade de pensar que tudo pode, somada a ambição do ter, e dizer sou! Eleva este ser humano, à condição dos piores animais, a andarem sobre a superfície da terra, flutuar sobre as águas, e ou, na imensidão do horizonte. Por meio, do eu sou! Como combustível a impulsiona-lo, ele sai a cometer barbáries, sem demonstrar o mínimo de sentimentos, como gesto humanitário. Ou seja: ele é superior à tudo e a todos. Esses são os efeitos da arrogância, os outros são consequências.

Autor: Ademildo Teixeira Sobrinho

https://poetateixeira.wordpress.com/2020/08/06/efeitos-da-arrogancia/

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