OPERAÇÃO MUTUM – COMANDANTE MÁRIO

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(Episódio 35)

ComandanteMário

Florentino do Nascimento Flores nasceu em Niterói no ano de 1935, filho de um Oficial da Marinha de Guerra.

Seu pai, em 1937, apoiou, com outros oficiais o Golpe de e

Estado dado por Getúlio Vargas para continuar na Presidência da República, impedindo a realização das eleições gerais, já marcadas para o ano seguinte, para tornar-se ditador e, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, fez parte da tripulação do Caça-Submarino PC-544 – Guaporé, cuja missão era fazer o patrulhamento marítimo das costas brasileiras e de todo   Atlântico Sul.

Florentino entrou para a Marinha, como o seu pai, chegando a Sargento.

 Sargento Flores. Essa era a sua patente quando participou, em Brasília, da Revolta dos Sargentos, um movimento feito por cabos e sargentos em represália à decisão do Tribunal Eleitoral do Rio Grande do Sul, confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, em 11 de setembro de 1963, declarando a inelegibilidade de graduados das Forças Armadas (cabos, sargentos e suboficiais) para o exercício de mandato parlamentar em nível municipal, estadual ou federal, conforme determinava a Constituição Federal de 1946.

O Movimento dos Sargentos, que já manifestara apoio às reformas agrária, urbana, educacional, constitucional e a outras mais, preconizadas pelo Governo Jango, conseguira eleger sargentos para cargos legislativos em 1962, nos Estados da Guanabara, São Paulo e Rio Grande do Sul.

 No Estado da Guanabara o Sargento do Exército Antonio Garcia Filho, mesmo com o impedimento Constitucional, tomou posse em 1º de fevereiro de 1963 para cargo de Deputado Federal. No Rio Grande do Sul, o Sargento do Exército Aimoré Zochi Cavalheiro teve a sua posse como Deputado Estadual negada e impedida pelo Tribunal Regional Eleitoral, o mesmo acontecendo com o Sargento do Exército Edgar Nogueira Borges, eleito Vereador para a Câmara Municipal da cidade de São Paulo.

Na madrugada de 12 de setembro de 1963 , na Capital Federal, uma tropa formada por cerca de seiscentos e cinqüenta soldados, cabos, sargentos e suboficiais  da Marinha e da Aeronáutica apossou-se  do Departamento Federal de Segurança Pública,do Ministério da Marinha, da Base Aérea, da Área Alfa (da Companhia de Fuzileiros Navais), do Aeroporto Civil, da Rodoviária e da Rádio Nacional, da Estação  Central de Rádio – Patrulha, do Departamento de Telefones Urbanos e Interurbanos, das Centrais Telefônicas e de alguns outros prédios públicos, suspendendo todo tipo de comunicação entre Brasília e o resto do Brasil. Oficiais das tropas regulares foram aprisionados e levados para a Base Aérea, onde também ficou retido o ministro do Supremo Tribunal Federal Vitor Nunes Leal.

Durante o movimento o presidente Jango estava fora de Brasília. Ele fazia uma visita de rotina à Pelotas. Porém, após doze horas do início da rebelião, os revoltosos enfrentaram grande movimentação de tanques de guerra e tropas do Exército, formadas por militares que não aderiram ao movimento, sendo derrotados após intensa troca de tiros nas ruas da Capital, com mortos e feridos.

No dia 13, o Sargento Prestes de Paula, líder do movimento foi preso pela Polícia do Exército. Osprisioneiros, num total de 536, foram mandados para o Rio de Janeiro, sendo alojados num barco-presídio ancorado na baía de Guanabara. Outros líderes foram detidos no Rio, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Em 19 de março de 1964, os 19 sargentos indiciados em inquérito policial-militar (IPM) foram condenados a quatro anos de prisão.

O nome do Sargento Flores não constou de nenhum dos relatórios oficiais do Governo. Era como se simplesmente não tivesse participado de nada.

Agora, fora preso em Mutum e apresentado como perigoso guerrilheiro. De sua ficha, que pude examinar, constavam “ações de assaltos a bancos e a casas de câmbio, ataques a delegacias de polícia para libertação de presos comuns e políticos e, finalmente, ações na região do Vale do rio Ribeira do Iguapé, em São Paulo, e de treinamento de guerrilheiros no Araguaia, de onde se evadiu quando do ataque das tropas federais, que resultou na morte da grande maioria dos agentes subversivos que lá se encontravam”.

A presença de guerrilheiros na região do Araguaia foi confirmada pelos órgãos de inteligência do Governo na década de 1970, quando ocorreram os primeiros confrontos com as tropas militares, principalmente formadas por forças do Exército.

A escolha da região pelos guerrilheiros para ali se homiziarem se deveu, principalmente, pela localização geográfica, bem no interior do Brasil, nas divisas entre os Estados de Goiás, Pará e Maranhão, banhada pela bacia do Rio Araguaia, próximo das cidades de São Geraldo do Araguaia e Marabá, no Pará e Xambioá, no norte de Goiás.

Os grupos de guerrilha inspiravam-se, basicamente, no sucesso dos movimentos revolucionários da Grande Marcha de Mao-Tsé-Tung na China em 1934/1935 e de Fidel Castro, em Cuba, na derrubada de Fulgência Batista em 1959. Embora liderado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), contou também com a  adesão de estudantes universitários, operários, profissionais liberais e, ainda, de camponeses.

Os objetivos principais eram a derrubada do governo militar, através de uma revolução socialista resultante de movimentos de guerrilhas, que teriam o seu início no campo e, depois, alcançariam as áreas urbanas e, ao final, a implantação no País de um governo popular com uma base socialista. Na verdade, pretendia-se substituir a ditadura militar, imposta em 1964, com a derrubada de Jango por uma outra ditadura, só que denominada “popular”.

Usando o codinome de Mário, o Sargento Flores era um dos encarregados do treinamento militar dos revolucionários, uma vez que fora militar de carreira.

Os componentes dos grupos de guerrilheiros, para não chamarem muito a atenção ou levantarem suspeitas, procuraram formas de se entrosarem mais facilmente aos moradores locais. Em 1970 já eram mais de sessenta militantes espalhados por uma área de aproximadamente seis mil e quinhentos quilômetros quadrados, divididos em três destacamentos A, B e C.

O destacamento A tinha suas ações executadas ao longo da Transamazônica, nas regiões de Faveiro, Fazenda São José, São João do Araguaia e Metade. O destacamento B atuava ao nordeste da Serra das Andorinhas, no lugar conhecido como Vale do Rio Gameleira. O destacamento C atuava a sudoeste da Serra das Andorinhas, ocupando as áreas do Pau Preto, Abóbora e Esperancinha.

Todos os destacamentos participaram de ações de combate direto contra as forças militares regulares.

Como tática de guerrilha estavam sempre em movimento constante pela mata, não permanecendo fixos e inertes por muito tempo em suas bases locais.

Embora se esforçassem para conhecer os costumes da mata, não foram bem aceitos pelos caboclos, sendo apenas tolerados ali, na região. Assim, quando as tropas do exército se deslocaram para o Vale do Araguaia, receberam informações precisas e importantes sobre onde se localizavam os grupos, dadas pelos moradores locais, o que veio facilitar o seu combate.

Em 1973 poucos eram os guerrilheiros que ainda sobreviviam no Araguaia. Foi quando o Sargento Flores, de codinome Mário, deixou a região e sumiu, sem deixar rastros que pudessem ser seguidos.

(Continua na próxima semana)

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