OPERAÇÃO MUTUM -10 de julho de 1975 – A terceira bomba

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(Episódio 34)

A quinta-feira, dia 10 de julho, nem bem havia amanhecido e logo uma serie de novos acontecimentos importantes se fizeram conhecer.

A mais importante era a notícia de que haviam encontrado mais uma das bombas perdidas. A terceira. E o mais incrível era o fato de que havia sido encontrada exatamente nas imediações das obras de recuperação da estrada de Lajinha. Parecia que tinha sido levada por alguma enxurrada, de onde havia caído, para um terreno pantanoso ao lado da antiga estrada, que agora estava interrompida. Quando a encontraram, estava meio que atolada na lama de tal forma que quase não era vista.

Quem a encontrou foi um trabalhador das obras do aterro e não algum dos soldados que faziam parte do comando encarregado da sua procura. Mas o que importava, mesmo, é que tinha sido achada mais uma bomba e agora só ficava faltando uma. A última para a missão militar em Mutum ser concluída.

O Comando Geral das tropas na cidade já, por algumas vezes, deixara entender que tinha esperanças de que o último artefato fosse encontrado logo e as tropas pudessem ser desmobilizadas, retornando ao seu quartel, em Juiz de Fora, assim que as obras de recuperação da estrada estivessem concluídas. O que aconteceria, no rimo em que estavam sendo realizadas, segundo previsão dos engenheiros militares, em, no máximo, uma semana. Ou menos até.

A terceira bomba foi levada para o quartel general dos militares, no Estádio Municipal, onde ficaria protegida por medidas especiais de segurança, junto das outras duas.

Na tarde daquele mesmo dia, no salão de sinucas do Bar do Lico, uma patrulha da Polícia do Exército deu voz de prisão ao Paulo Otávio e a dois de seus empregados. Foram algemados e levados em uma viatura militar para o quartel. Ninguém entendeu o motivo da prisão. Afinal, Paulo Otávio era benquisto em Mutum.

Paulo Otávio era ainda novo, na faixa de uns quarenta anos. Tinha chegado um dia a Mutum de ônibus, vindo de Manhumirim, em 1973. Ficou hospedado primeiramente no Hotel do Ponto.

Nas conversas que mantinha com algumas pessoas, na praça, dizia que tinha vindo do Rio de Janeiro e estava procurando uma fazenda para comprar. De preferência, que fosse na região que faz divisa com o Espírito Santo e que tivesse mata nativa, que ele pretendia preservar. Tinha ouvido falar muito de Humaitá e do Imbiruçu e dizia que estava esperando uma oportunidade para ir lá, conhecer. Não disse de quanto dispunha para pagar, mas deixou claro que pagaria à vista, no dinheiro. Mas insistia que a fazenda que comprasse teria que ser de porteira fechada, isto é, com tudo o que tivesse lá dentro.

Antes de fazer um mês que estava em Mutum comprou uma fazenda no Imbiruçu. Do jeito que queria. Porteira fechada. O antigo dono, Sô Neca, mudou-se levando apenas a família. Paulo Otávio deixou o Hotel do Ponto e passou a residir na fazenda. Deu-lhe o nome de Nova Esperança. Comprou um jipe e começou a frequentar a cidade apenas quando precisava fazer algum negócio ou comprar alguma coisa, sempre acompanhado de dois rapazes que disse ter contratado para trabalhar na fazenda e que apresentou com sendo um o Liberato e o outro o Douglas. Deviam ter, cada um uns trinta anos.

Paulo Otávio era um cara bem apessoado, que estava sempre sorrindo, como se a vida fosse feita apenas de momentos felizes e que nunca raspava um bigode discreto. Fazia sucesso com as mulheres, mas não namorava firme com ninguém. Nos dois anos em que já estava morando em Mutum tinha ficado com algumas garotas, mas apenas nos eventos como festas populares ou bailes. Não parecia querer se amarrar a ninguém. Não bebia nem fumava. Mas tocava violão e gostava de cantar. Quando estava na cidade, vindo da fazenda, também gostava de sair com alguns amigos, fazendo serenata debaixo da janela das garotas. Paulo Otávio podia ser visto entendido como alguém que sabia viver.

Era católico de frequentar a igreja, assistindo sempre as missas aos domingos. Dizia-se torcedor fanático do Vasco da Gama e não gostava de emitir opinião sobre política. Se dizia sem opinião formada e, ao ser envolvido em alguma questão em que era solicitado a opinar, arranjava logo um jeitinho que lhe possibilitasse, além de não emitir opinião, mudar de assunto ou sair de fininho.

O que mais gostava de fazer, quando descia do Imbiruçu para Mutum, era jogar sinuca no Bar do Lico. Era tão bom de sinuca que ficava horas rodeando a mesa, jogando apostado. Ganhava, na maioria das vezes. Raramente jogava só por brincadeira.

Foi lá, no Bar do Lico, jogando sinuca, que tinha sido preso. Não trazia consigo nenhuma arma. Liberato e Douglas também estavam desarmados. Nem no jipe que usavam foram encontradas armas.

Paulo Otávio, Liberato e Douglas foram embarcados em um helicóptero do Exército que levantou vôo de Mutum antes de fazer uma hora de sua prisão. Seu destino era, e continuou sendo, por muito tempo, desconhecido de todos nós.

Foi então que tive ciência de que a conversa fiada da Fé, de que ocorreriam algumas prisões em Mutum que deixariam todos surpresos e assustados não era tão conversa fiada como eu pensara. 

Fiz uma ligação para Manfred Kurt no Jornal do Povo e lhe dei em detalhes notícia dos acontecimentos do dia. Pelo fax da prefeitura enviei fotos de Paulo Otávio, Liberato e Douglas que havia conseguido através dos arquivos do Tião Fotógrafo, pedindo a Manfred Kurt que tentasse descobrir alguma coisa sobre os três elementos presos. Tinha feito um pequeno dossiê no qual constavam todas as informações que consegui obter em Mutum sobre cada um deles. Serviria como ponto de partida para a pesquisa que pedira a Manfred Kurt. Mas não foi preciso nem iniciar a pesquisa. Uma notícia transmitida por uma Rede Nacional de Televisão esclareceu, pelo menos em parte, as nossas dúvidas.

O Governo Federal, através do Ministério da Justiça, noticiava a prisão no interior de Minas Gerais do líder guerrilheiro Sargento Flores, conhecido como Comandante Mário e seus companheiros cabos Hélio e César. Os três pertenceram, antes, aos quadros da Marinha Brasileira de onde desertaram logo após a revolução de 1964, para não serem presos por sublevação.

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José Araujo de Souza

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