20 POEMAS QUASIDARKS

Salomão Rovedo

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“Venho sistematicamente

 me estraçalhando nos vidros da janela.”

Many Tabacinik

Pouco mais que isso: poesia

 de cortar os pulsos sem comoção.

Um canto mais deprimente

 que heroína, mas que fala de amor.

A vida perfeitamente enojada:

viver parece nunca ter fim.

 Na ausência ou na existência,

que importa? Desiludidamente.

É que depois a solidão torna

tudo demais pós-comoção.

Quem está pronto para ter o coração

partido de tristeza ainda mais?

 A vida é um longo caminho

 perdido entre poeira e asfalto.

 Quem vai crucificar o sentimento

– esse podre coração de aço?

Quando se é jovem para sempre

toda vida é uma canção injusta.

(Amaricanto)

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