20 POEMAS QUASIDARKS 1

Salomão Rovedo

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 “Aonde jazem os instantes

 soturnos da peste?” Isabel Câmara

Nem tanto ao Sol, nem tanto ao soturno:

 astrônomos conjeturam a Terra sem Sol

 e tão somente abraço a perda da manhã.

Nem tanto a Terra, nem tanto a Saturno:

 o infinitésimo espaço que preocupa

 não abarca a viagem da nave estrelar.

Nem tanto a terra, nem luminosidade:

 o passo seguinte é o abismo total

– quando à beira de lugar nenhum.

 Nem tanto ao Sol, nem tanto à Lua:

espacial é a noite cedida à claridade,

aos destemores diurnos e noturnos.

 Nem tanto à Terra, nem tanto ao Sol:

de pés no chão diluir-se a cada pegada

 e indomável amar, técnica do olvido.

Nem tanto à Lua, nem tanto ao soturno:

vagar, vagar paralisado, terror da luz,

 esquecer-se, soltar-se ao plano imediato.

E enquanto astrônomos conjeturam

 a Terra sem Sol, tão somente isso,

eu só lamento esta perda da manhã.

(Amaricanto)

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