Uma solução imaginável





 
Adriana Cunha de Morais Santos
 
Arrumando os jornais velhos da estante, deparei-me com inúmeras notícias no caderno de política sobre as pilantragens de nossos representantes do Executivo e Legislativo, entre elas, uma mostrando um prefeito de um município do Pará, flagrado com “a meia na mão”; expressão que eu inventei, pois pedem esmolas (propinas), e guardam na meia (a cueca está fora de moda). Folheei sem prestar muita atenção aos detalhes. Sabemos que se tornou
rotineiro a esperteza desses político e o que nos parece é que nada vai mudar.
De repente, cansada de dobrar os vários jornais, sentei no sofá da sala e fechei os olhos. Era como se estivesse sonhando, imaginei uma solução de acabar com esta escancarada roubalheira. “Vi os políticos sendo convidados para um safári na África, cada um recebendo das mãos de um de seus inúmeros assessores um envelope com o convite e as condições da viagem. Teriam que levar seus suplentes também.
Eles não poderiam, por hipótese nenhuma, desviar as passagens de avião para os parentes, sob pena de multa e o não comparecimento à viagem significaria execução sumária, quero dizer, exoneração do seu cargo. Fiquei imaginando a preocupação deles em chamar seus
marqueteiros para poder exibir seus melhores personagens. Uns representariam os ursos selvagens, na verdade queriam ser os pandas porque são mais carismáticos, mas estes são chineses, Outros, os elefantes, com todo aquele porte, representando força e poder. Alguns
se contentariam em representar os alces com toda sua magnitude, pose e aparente inocência; na verdade são espertos apesar da frágil aparência, e têm aqueles que preferem os veados, afinal lembra o Bambi, um personagem cheio de beleza e majestade. Os suplentes, loucos para destruir a imagens de seus colegas, levam, na maior, malas e botas de couro de jacaré. Falsos ambientalistas! Está bem, o que importava mesmo era reuni-los em um só lugar.
Chegando na África, um chefe de cerimônias, exibindo um olhar irônico, os acompanharia até um hotel, um tanto luxuoso. Sorrindo, meio amarelado, explicaria:
– Sejam bem-vindos, se instalem e almocem. Às quatro horas iremos para um passeio, conhecer os animais… selvagens.
Às quatro, todos a bordo de jipes alugados seguiriam até o lugar onde encontrariam com os selvagens animais. Na reserva dos leões seriam convidados a descer, prometeriam segurança, mas numa distração os guias e motorista se retiravam deixando aquelas carnes podres como banquete para os pobres leões. Imagino a cena: Os representantes dos ursos tentariam correr, mas de tão lentos e pesados acabariam sendo os primeiros a ser abocanhados.
Os que representavam os elefantes, pesados e sugadores, correriam balançando suas trombas, mas sua força e poder não seriam páreo à desenvoltura sangrenta dos esfomeados leões. Os alces tentariam se proteger com seus enormes chifres, tanta pose e magnitude, tentariam em vão subornar os seus algozes:
– Prometemos a vocês que será proibida a caça de animais, não poderão guardá-los em jaulas.
Acabariam sendo destroçados pelas garras e dentes afiados das feras. Então aqueles que escolheram os veados dançariam exibindo um balé magnífico, tanta delicadeza e beleza terminariam no último ato: boca dos leões.
Enfim, eu voltaria para o Brasil e encontraria o país todo desorganizado. Exigiria uma nova eleição, só que nenhum político ficha suja participaria, e muito menos os que estivessem respondendo algum processo, pois nenhum político é condenado aqui porque a Justiça é lenta, cega, muda e aleijada, pior é mendiga, vive de esmolas.
Quem dera ganhar tanta esmola… Mas no final da eleição voltariam os políticos “olha para o umbigo” e nada fariam para consertar o Brasil. Iriam utilizar a meia soquete para carregar as propinas, afinal ela é mais discreta. De nada adiantaria tentar dar fim aos políticos ladrões se não educar o povo, ele não sabe votar. Passam a vida toda em filas de hospital, sem pelo menos um lugar decente para morrer (morrem nos corredores ou na porta dos hospitais). Vivem utilizando-se de jornais, rádios e televisões agora até internet para reclamar da violência nas ruas, dos alagamentos e buracos. Fazem passeatas, trancam as ruas queimando pneus atrapalhando o pobre de trabalhar (porque os políticos têm helicóptero) e esquecem que foram eles que colocaram seus representantes no governo. Outra eleição, voto errado, dinheiro na meia, povo reclama e fica tudo na mesma.
Abri os olhos e concluí que de nada adiantaria alimentar leão com a carne estragada dos governantes e representantes do Planalto, talvez não exista solução. Recomecei a dobrar os velhos jornais

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