REMISSÃO

José Araujo de Souza

Eu te peço perdão, irmão sol,

por não sentir no meu corpo

o teu calor que me aquece

e por não ver, no meu céu,

os teus raios de luz que encantam

os caminhos que eu uso.

Eu te peço perdão, irmã lua,

por não ver em minhas noites

o teu brilho, entre estrelas,

e por meu violão ficar mudo e por meus pés, que carregam o meu corpo

pelas ruas, cansados, sem te dar atenção.

Eu te peço perdão, irmã vida,

por viver-te, assim, sem mais nem menos,

e por não ter mais o apego que antes tinha

por ti, que me acompanhas.

E a ti, irmã morte,

velha inimiga que me espera

para vencer a última batalha, inevitável,

a ti,

eu te dou o meu perdão.

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