OPERAÇÃO MUTUM – O CATARINA

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(Episódio 24)
O Catarina
Num sitiozinho localizado ao pé da Serra do São Roque, distante alguns poucos quilômetros da Pedra Invejada, morava Beniamino, conhecido em Mutum como o “Catarina”, com a esposa Donata. O antigo dono lhe garantira que lá, ao pé da serra, poderia viver tranqüilo. Era tudo o que Seu Beniamino, o “Catarina” queria.
Ele era natural de Santa Catarina, de onde tinha saído ainda jovem para morar em São Paulo
, na Capital. Foi lá, na maior cidade do Brasil que as coisas aconteceram e fizeram Seu Belarmino, o “Catarina” acabar em um sitiozinho em Mutum, de onde podia ver a Invejada.
Em Pedras Grandes
, a cidadezinha onde nascera e morava, ao Sul de Santa Catarina, o jovem Beniamino Galleti Guzzo cresceu na simplicidade de uma família napolitana tradicional. Lá, em Pedras Grandes
, estudou até a conclusão do curso de técnico agrícola. 
Logo em seguida, meteu na cabeça que devia largar a família e mudou-se para São Paulo. Lá trabalhou, estudou e formou-se Engenheiro Agrícola.
Depois de formado foi trabalhar na cidade de  Sertãozinho, em uma fazenda modelo, onde tornou-se responsável pela criação de matrizes de suínos da raça Duroc, onde ficou até 1972. Foi quando conheceu Chico Falador, apelido de Francisco Matias Maia, um fazendeiro de Mutum que havia ido a Sertãozinho comprar uma remessa de porcos de raça, próprios para abate.
Beniamino foi o responsável pela venda, como representante da fazenda em que trabalhava, tendo sido encarregado de acompanhar Chico Falador até Mutum, devendo lá orientar a construção das instalações próprias para a criação dos bichos. Esse processo era previsto para acontecer em um prazo de noventa dias, quando deveriam ser entregues as primeiras matrizes.
Antes de noventa dias passados da chegada de Beniamino ele já decidira que nunca mais voltaria a Sertãozinho e que estava apaixonado pela Donata, filha do italiano Santino, dono da Fábrica de Lacticínios Santa Matilde, assim mesmo com “c” antes do “t”.
Quando Beniamino decidiu que ficaria em Mutum em definitivo, disse para Donata que iria a Pedras Grandes para informar aos pais da sua decisão de casar-se e convida-los para estarem presentes e que a levaria com ele. Foram para São Paulo no carro da companhia onde Beniamino ainda trabalhava. Lá, desligou-se do emprego   e, junto de Donata, tomou um avião para Florianópolis, de onde seguiram de ônibus para Pedras Grandes. Quando retornaram, Beniamino já se considerava mutuense.
Casaram-se ainda em 1972 e foram morar no sitiozinho que Beniamino comprou bem pertinho da Invejada, que segundo ele não o deixava esquecer de Pedras Grandes, ao Sul de Santa Catarina, cidadezinha onde havia nascido.
Foi Beniamino quem encontrou a primeira bomba e avisou ao pessoal do Exército onde ela se achava, numa pequena ravina ao norte das suas terras.
Ele a encontrou por acaso, numa tarde quase noite, quando estava indo verificar o motivo dos seus cães estarem latindo tanto, como se tivessem acuado algum animal estranho, perto da pequena lagoa nos fundos da ravina. O animal estranho era aquele objeto, aquela bomba que não deveria estar ali.
A noticia de que os militares haviam encontrado uma das bombas que procuravam teve, de imediato, dois efeitos práticos: o primeiro, o de confirmar que toda aquela história estranha, de que um avião tinha deixado cair suas bombas em Mutum, era verdadeira. Isso queria dizer a todos que, então, se haviam achado uma das bombas as outras também existiam e precisavam ser encontradas, com toda a certeza. O segundo efeito foi o de provocar, em cada um dos moradores da cidade, uma enorme e voluntariosa vontade de ajudar os militares na procura. Assim, principalmente os jovens estudantes em férias, formaram seus grupos de amigos e se propuseram a trocar a placidez dos dias frios de julho, em que ficavam sem fazer nada de importante, só agitando a cidade ao anoitecer, pela aventura de tornarem-se, quem sabe. Possíveis heróis. Como se fossem, eles próprios, Indiana Jones em busca das bombas perdidas.
Foi esse espírito de aventura, natural nas pessoas mais jovens, que facilitou os acontecimentos que envolveram Cristina Maria Dias.

Continua na próxima semana)

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