operação mutum – as tropas / o inicio das férias

(Episódios 12 e 13)

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Quando o primeiro helicóptero passou sobre a cidade, devia ser umas dezenove horas. Dirigiu-se ao Estádio Municipal, onde pousou. Logo a seguir, e por quase toda a noite foram chegando outros. Contei dez. Desses, sete eram de grande porte, para o transporte de tropas. Apenas três pequenos, tipo esquilo. Todos com o emblema do Brasil.

 Neles podia-se ler Força Aérea Brasileira – FAB, cujo braço armado é o Comando de Operações Aéreas (COMGAR), ao qual estão subordinadas todas as unidades aéreas, bases aéreas e órgãos afins.

 Os helicópteros operando em Mutum pertenciam à 2ª Força Aérea ou II FAe, com sede na cidade do Rio de Janeiro, que engloba as unidades de asas rotativas (helicópteros) e as unidades de busca e salvamento, patrulha marítima e de apoio a Marinha em geral, subordinados ao III Comando Aéreo Regional l – COMAR, com sede no Rio de Janeiro e jurisdição sobre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Enquanto as coisas iam acontecendo em Mutum, naquele primeiro dia após a perda das bombas pelo avião militar, mais forte se tornava verdadeira, na minha cabeça, a fala do meu Redator Chefe, de que ali tinha coisas.

 O que mais estava me deixando incomodado era o fato de que as notícias sobre o acontecimento com as bombas tinham cessado, tanto nas Rádios quanto nas Televisões. Por quê haviam cessado?  Apenas a noticia dada no Domingo tinha sido divulgada. Mais nenhuma. Nada mesmo. Não seria importante a queda das bombas? Se não era, para que deslocar tropas federais para lá? Nas conversas daquela noite, em Mutum, estas eram perguntas feitas a todo instante sem que alguém soubesse responder.

A cidade não dormiu. As ruas que davam acesso ao Estádio, onde estavam o acampamento do Exército e os helicópteros da Aeronáutica tiveram o acesso proibido aos moradores. Barreiras físicas foram colocadas, reforçadas por rolos de arame farpado e sentinelas armados foram postados em suas extremidades. A área foi isolada.

 A curiosidade dos moradores aumentou e muitos passaram toda a noite acordados, observando a passagem dos helicópteros. Assim terminou o dia 30 de junho de 1975, uma segunda-feira, primeiro dia após a queda das bombas em Mutum.

                        01 de julho de 1975

                    Início das férias  

A manhã do dia seguinte, terça-feira 01 de julho, começou agitada. Por dois motivos bem específicos. Que não tinham nenhuma relação, entre si.

O primeiro, quando algumas pessoas que haviam passado a noite formando pequenos grupos, conversando sobre a situação, na Praça, informaram, pela manhã, que durante a madrugada havia chegado mais um comboio militar. Desta vez, transportando tropas da Marinha que se juntaram às do Exército e da Aeronáutica, aumentando o número de militares em ação e transformando definitivamente a pracinha em frente ao Estádio Municipal em uma praça de guerra.

A tropa da Marinha deslocada até Mutum, segundo apurei depois, pertencia ao Grupamento de Fuzileiros Navais do 1º Distrito Naval, subordinado ao Grupamento de Patrulha Naval do Sudeste, sediado no Rio de Janeiro, que tem entre as suas missões realizar o socorro e salvamento marítimo, operações navais, costeira e inspeção naval, a fim de contribuir e assegurar a salvaguarda de vida humana e para a segurança e controle dos interesses do Brasil no mar.

O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil usa uma palavra em Latim – Adsumus – para mostrar sua presteza. Segundo o Comando do CFN significa: “Aqui estamos”, refletindo a presteza e o permanente estado de prontidão dessa tropa profissional.

No caso específico da sua presença em Mutum, sua missão era dar apoio total as ações militares do Exército e da Aeronáutica.

O segundo motivo para a agitação daquela manhã do segundo dia após a queda das bombas, foi a chegada de um barulhento grupo de estudantes em férias, vindos em dois no ônibus da Viação Melo, um que saíra à noite, de Manhumirim e outro que saíra de manhãzinha de Aimorés. Afinal, as férias escolares começavam e, como sempre acontecia, a cidade deveria receber durante todo o mês, um grande número de visitantes, além dos filhos da terra que estudavam fora e retornavam, todos os anos, em julho, para curtirem as suas famílias em Mutum.

Como era de se esperar, a cidade foi se transformando, agitando-se e perdendo sua principal característica que era a de ser uma cidade tranqüila, de ruas vazias e calmas. A presença dos militares e a chegada dos estudantes provocou em cada ponto da cidade uma agitação até então desconhecida.

(Continua na próxima semana)

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