OPERAÇÃO MUTUM – O QUARTEL MILITAR

(Episódio 11)

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Pouco antes de entrarmos em Mutum, nas imediações da encruzilhada que levava ao Distrito de  Ocidente, nos deparamos com um comboio do Exército Brasileiro, formado por três caminhões de transporte de tropas, precedidos por um jipe onde deveria levar, eu supus, algum oficial comandante. Deduzi que deveriam estar se deslocando desde Juiz de Fora, onde estava sediada a IV Divisão de Infantaria da IV Região Militar do Exército, e que a razão para a presença ali, daquela tropa, não seria outra senão a mesma que me fizera viajar tanto, desde Belo Horizonte: a queda as bombas.

Como tínhamos feito apenas uma parada rápida durante toda a viagem, para reabastecer, em Realeza, chegamos à casa dos meus avós pouco depois das dezesseis horas, com o sol ainda alto no céu.

Eu estava ansioso para sair andando pela cidade em busca de informações. Mas não antes de saber, pelo meu avô, que todos na cidade estavam apreensivos, que ninguém sabia direito o que tinha acontecido, que haviam, sim, ouvido o som de um avião sobrevoando Mutum por umas três vezes, no dia anterior, devia ser umas sete horas da noite e que algumas pessoas viram que ele deixava cair alguma coisa sobre a cidade. Mas ninguém identificou o que era nem onde tinha caído.

Só mais tarde, quando a noticia foi divulgada nos rádios e nas TVs ficaram sabendo que se tratava de um avião militar e de bombas.

Minha avó, que estava sentada na varanda da entrada da casa, enquanto meu avô e eu conversávamos na sala, irrompeu ao nosso encontro, dizendo que caminhões cheios de soldados estavam chegando na Praça. Expliquei que já os tinha visto na estrada na chegada e que iria até lá, para saber o que tinham ido fazer em Mutum.

A tropa do exército passou pela Praça Benedito Valadares e dirigiu-se para o espaço existente na frente do Estádio Municipal, na beira do rio, onde montaram acampamento e aquartelaram-se. Fui até lá e consegui, sem muitas dificuldades,  falar com o Major Alfredo, que estava no comando da tropa.

 Ouvi dele a informação de que, por ordens superiores recebidas do Comando do Exército, em Brasília, estavam ali para manter a ordem e prepararem o caminho para uma operação militar que seria realizada, a partir daquela noite.

Nada disse sobre as bombas e quando perguntei delas, virou-me simplesmente as costas sem responder.

(Continua na próxima semana)

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