OPERAÇÃO MUTUM – OS FATOS

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(Episódio 10)

Antes de acontecer no Brasil o Golpe Militar que ficou conhecido como Revolução de 1964, assistíamos o surgimento de movimentos populares que questionavam a situação interna do País. Indo além, criticavam a nossa dependência externa, exigindo um rompimento político do governo com os Estados Unidos da América, então considerados opressores pelos líderes nacionalistas, principalmente os estudantes, representados nacional e politicamente pela União Nacional dos Estudantes – UNE, com sede no Rio de Janeiro.

 Ao mesmo tempo, esses mesmos grupos populares reivindicavam fosse feita uma maior inclusão social das camadas mais pobres e trabalhadoras.

 A rejeição declarada aos americanos, chamados pelos estudantes e esquerdistas de “ianques”, era manifestada através da expressão “yanques go home”, que podia ser lida nos muros ao longo do País e ouvida como palavra de ordem nas passeatas de estudantes e trabalhadores, que já se tinham tornavam um fato comum no Governo João Goulart.  Significava “ianques vão para casa”.

A palavra iankee, para pessoas que não são americanas indica qualquer americano. Para um americano, no entanto, um yankee é uma pessoa que vive em um Estado do Norte do País. Para pessoas que vivem no Leste dos Estados Unidos, um yankee é uma pessoa que tem origem ou reside em Nova Inglaterra, região localizada no Nordeste dos Estados Unidos, composta por seis estados – Connecticut, Maine, Massachusetts, Nova Hampshire, Rhode Island, Vermont.

Durante a Guerra de Secessão, entre 1861 e 1865, a palavra yankee foi popularizada pelos sulistas, quando foi usada para referir-se aos soldados nortistas, vitoriosos, e, de uma maneira geral às pessoas que viviam no Norte dos Estados Unidos.

Esses anseios democráticos, no Brasil, tiveram origem na década de 50 avançando pelo inicio dos anos 60 até o advento da Revolução.         

Como não poderia deixar de acontecer, o Governo Militar, após a Revolução de 1964, procurou criar uma Doutrina de Segurança Nacional, que fosse capaz de identificar, apontar e eliminar os possíveis inimigos internos, incluindo-se, aí, naturalmente, todos aqueles que questionassem e criticassem o novo regime, com especial destaque para os reconhecidamente partidários do comunismo.

Para tornar reais as ações que se fariam necessárias para o alcance dos objetivos propostos, foram criados alguns órgãos governamentais especiais, com destaque para o Serviço Nacional de Informações – SNI. Responsável por toda a rede de informações e contra-informações do Governo, o SNI, criado em 1964 e dirigido pelo General Golbery do Couto e Silva, passou a direcionar todas as informações recebidas, diretamente para o Poder Executivo, ou seja, para o Presidente da República.

Ao terminar esta primeira análise sobre o que ocorrera em Mutum, naquele Domingo 29 de Junho de 1975, conclui que, embora a Aeronáutica, responsável pelo avião que sofrera a pane e lançara sobre a cidade as quatro bombas, não tivesse soltado nenhuma nota oficial, com certeza o General Ernesto Geisel, Presidente do Brasil, já estaria a par de tudo. Com certeza o Serviço Nacional de Informações/SNI já o havia informado.

Por que será então que ninguém falava oficialmente? Sendo assim, era muito provável que Manfredo Kurt, o Redator-chefe do Jornal do Povo estivesse certo. “Aí tem coisas” conclui.

 Com os olhos fechados, perguntei ao Francisco Neto em tom de brincadeira –  E aí, Chicão, vamos chegar em Mutum ainda esse mês? – enquanto me ajeitava no banco para tentar cochilar um pouco. Com os olhos semicerrados, deixei o pensamento voar solto em direção a Mutum. Uma lassidão foi tomando conta de meu corpo enquanto o sono se apossava de mim. Francisco Neto não deve ter entendido porque eu estava sorrindo enquanto cochilava no banco do passageiro do fusca.

(Continua na próxima semana)

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