operação mutum – a viagem

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( Episódio 9 )


30 de junho de  1975

Segunda-feira   

No outro dia, ainda cedo, me dirigi para a redação do Jornal do Povo, onde trabalhava. A noticia do acontecimento em Mutum já se espalhara e todos queriam saber mais de mim sobre o assunto, por eu ser de lá, de Mutum, onde o fato acontecera. Expliquei que havia falado na casa dos meus avós, mas que não sabiam de nada diferente do que tinha sido noticiado.

O Redator-chefe, Manfredo Kurt, com aquele seu jeitão alemão de falar e toda a sua experiência de mais de trinta anos farejando notícias, me chamou em sua sala e me disse de uma forma bem clara “Aí tem coisas. Estou com um pressentimento de que aí tem coisas. Quero que vá lá e veja de perto. Afinal, bombardearam foi a sua cidade, não é mesmo?” 

Não eram ainda dez horas da manhã e eu já estava a caminho, na estrada, conforme determinara o meu chefe de redação, levado pelo Francisco Neto, motorista do Jornal do Povo, em um Fusca, rumo a Mutum.

 Passaríamos por Ouro Preto e Ponte Nova, caminho mais curto, com estrada asfaltada até Manhuaçu. De lá, iríamos por estrada de terra até Mutum, passando por Lajinha. Não acontecendo nenhum imprevisto, chegaríamos a Mutum no mais tardar no final do dia ou no inicio da noite.

Durante a viagem, enquanto Francisco Neto se preocupava exclusivamente em chegar o mais rápido possível a Mutum, eu tentava, na minha cabeça, entender os acontecimentos de uma forma lógica. Mas não me esquecia das palavras de Manfredo Kurt  “aí tem coisas”. Que coisas, eu pensava, poderiam estar escondidas na noticia de que um avião militar havia, durante uma pane, soltado suas bombas sobre Mutum? Que tipo de bombas seriam? Por que a Aeronáutica ainda não soltara nenhuma nota oficial? O que fazia um avião militar sobrevoando a região de Mutum? Por que estava transportando bombas? Quantas bombas?

 Eu, até aquele momento da viagem, não era capaz de responder, com certeza e segurança, a nenhuma das muitas perguntas que até aquele momento formulara em minha mente. Embora pudesse fazer inúmeras conjecturas, com base em informações que eu tinha e que eram, na maioria das vezes, do desconhecimento da maior parte do povo comum.

 Como alguns fatos que serviram de base para o levante militar que derrubou Jango.

(Continua na próxima semana )

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