operação mutum – O começo de tudo

 

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(Episódio 8)

       29 de junho de1975

        O começo de tudo

No dia 29 de Junho de 1975, um Domingo, eu havia cumprido a mesma rotina de sempre.

Pela manhã, tinha assistido a uma missa solene na Igreja de São José, na Avenida Afonso Pena, entre as Ruas Tamoios e Espírito Santo e almoçado um Kaol no Restaurante Giratório, na Rua Rio de Janeiro, esquina de Praça Sete, no subsolo do Edifício Helena Passig.

 Na parte da tarde, um cochilo em casa, na Rua Itajubá, esquina com Rua Pouso Alegre, na Floresta, um filme no Cine Paladium, na Rua Rio de Janeiro, um chopp no Maleta, na Rua da Bahia. À noite, ver televisão em casa. Rotina, pura rotina.      

Como já era de costume e como gostava de saber quais eram as últimas notícias importantes do dia e de estar sempre ligado em noticiários, eu tinha por hábito assistir, todas as noites, ao Repórter Real, que havia sucedido ao Repórter Esso, na TV Itacolomy.

O Repórter Esso era o principal noticiário televisivo do Brasil até ser extinto, em 1970.  Existiu desde 28 de agosto de 1941, quando foi apresentado pela primeira vez na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, para noticiar principalmente os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Foi criado nos Estados Unidos para difundir propaganda de guerra e era transmitido em quatorze países das Américas através de cinquenta e nove estações de rádios e televisões.   Era patrocinado pela empresa petrolífera americana “Standart Oil Company of Brazil”, conhecida em nosso País como ESSO Brasileira de Petróleo.

Encerrou suas atividades radiofônicas em 31 de dezembro de 1968, com sua última transmissão feita pela Rádio Globo do Rio de Janeiro, mas permaneceu sendo apresentado, nas redes de Televisão, até 31 de dezembro de 1970, quando teve sua última apresentação levada ao ar pela TV TUPI.

Naquela noite de 29 de junho de 1975, um Domingo, as notícias apresentadas pelo Repórter Real estavam dentro do que eu considerava um padrão normal de notícias, sem nada que pudesse ser considerado um destaque especial, daqueles que me fariam parar o que estivesse fazendo para dedicar maior atenção ao que estava sendo noticiado.

Eu estava a caminho da cozinha quando o que ouvi me fez parar e correr para perto da TV. O repórter acabava de anunciar que um avião militar, ao sobrevoar uma cidade do interior de Minas Gerais, havia sofrido uma pane e deixado cair sobre a região as bombas que transportava quando se dirigia para um exercício militar.

 O porta-voz do Governo informou que a Aeronáutica soltaria uma nota oficial assim que estivesse de posse de detalhes da operação.

O que me fez parar a minha caminhada para a cozinha e me colocar ao lado da TV foi a palavra Mutum que eu tinha ouvido, com toda a clareza. “Puta merda, as bombas caíram em Mutum”, eu disse baixinho.

Minha primeira providência foi telefonar para um amigo que trabalhava na redação da Itacolomy, para me inteirar melhor sobre o ocorrido. Ele me informou que a notícia estava sendo divulgada apenas conforme fora informada pelos serviços de divulgação do Governo. Quando perguntei se havia mais alguma coisa, por parte da Aeronáutica, me disse que não havia mais nada além do que fora anunciado no Repórter Real.

 Em seguida, fiz uma ligação para a casa dos meus avós, em Mutum, recebendo a informação de que lá só sabiam do que tinham acabado de ouvir, divulgado pela TV Globo, pela TV Tupi e pela TV Bandeirantes, únicas emissoras de TV que eram captadas na região. Nenhuma outra notícia havia sido divulgada, nem mesmo através das rádios. E que a cidade estava que era uma agitação só. Uma verdadeira loucura, antes nunca visto. disse-me o meu avô.

Como  eram as mesmas informações que eu já tinha ouvido e levando em conta que não me adiantaria fr nada ficar tentando obter mais informações naquela noite, resolvi que o melhor que podia fazer era ir para o meu quarto, dormir e deixar para tentar entender melhor toda a situação no dia seguinte, pela manhã.

Meu sono foi muito agitado e entrecortado de sonhos que mais pareciam pesadelos.

(Continua na próxima semana)

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