Se Abarca

Jorge Domingues Lopes

Preamar de março

reponta

Paraoara abanca no bailéu

Sob a noite desconforme

devora

Montarias e barreiros

à ponta

Afrontado no tijupar

Carapanãs, redes e maruins

bebem e cantam

O rio que abandona

o porto

Panema, mundiado

Pálido chibé sem pitú

à fome

POESIAS 29

Olha o acauã que passa

nos sonhos

E deixa a friagem no estirão

Das sombras barrentas da tapera

à calma

Vara, Boto cuíra persegue

e muda

Camba sozinho por furos

Mareante de heresias e tapiris

ao longe

Longe, só a atenção das aningas

E o adeus do tajá

O olhar, poita lançada na noite

Deixa o velho regatão de bubuia

no tempo

Abicado no igarapé crescente

Jacumã no peráu

Matura taperebá no paneiro

Aprumando-se na luz

deságua

Das bordas do alguidar

memórias

De antigos putiruns, fazendas

Carregando aturás

moqueando

30 II PRÊMIO PROEX/UFPA DE LITERATURA

A alegria das duras ferras

fechação lassa

Cavalo sestroso, rasgaduras

Bangolou e foi brabo de peconha

trepou

Montando furos e paranás

gaiolas e mais

O mundo apequenou-se

Traços incertos dos tesos

às caídas

O pitiú no corpo embarcado

à muda batição

Gapuiando tucunarés, pirás

Sestas sem escápulas

nem fins

Um vinho de tucumã ruído de pipira

e amores no velho jirau

Abarca o igarapé ao largo banzeiro

Saudado pelas últimas sombras

do tijuco no leito tipitinga

Findo o remanso do silêncio

a cordas

Para lançar um nome desfeito

Na distância que marulha

a vaga âncora do teu esquecimento.

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