Os peixes do meu rio

Darcy França Denófrio, em “Amaro mar”. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.


No reverso, a história de meus versos. 
No avesso, a pura canção de gesso, 
que se sustenta no azul da lenda, 
no equilíbrio do fio que (entre)teço. 
Na superfície, a frauta noturna 
de sustenidos ais e bemóis. 
Na superfície, a fraude fria 
e a neblina sobre mil lençóis. 
É no fundo d’água, nos peraus, 
que moram os peixes de meu rio. 
É no remanso que alguma iara 
sempre se esquiva solitária. 
De repente, o susto da cilada, 
um anzol recurvo – aço e isca –  
mas os meus peixes não se entregam, 
apenas provam de leve, triscam.

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