operação mutum – O cenário

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(Episódio 3)

O Brasil havia passado por uma grande transformação política em 1964, quando aconteceu uma revolução política que colocou o Governo Federal e o País sob regime militar, dirigido por um Presidente escolhido pelas três armas, Exército, Marinha e Aeronáutica, sem que o povo pudesse participar dessa escolha. Uma nova Constituição substituiu a que existia até então. Os direitos e garantias individuais foram suspensos sob a alegação de defesa do regime e uma ditadura implantada, sem data para o retorno futuro aos princípios democráticos.

O povo brasileiro a tudo assistiu sem que acontecesse grande resistência. Um pouco em função da extinção dos partidos políticos existentes antes de 1964, mas, principalmente, pela imposição, pelos revolucionários de um regime de força, amparado pelas ações violentas de repressão a quem se colocasse contra o novo regime. O Poder Executivo passou a ter preponderância sobre os outros poderes constitucionais – Legislativo e Judiciário.

As eleições diretas para a escolha política dos governantes nos três níveis – Federal, Estadual e Municipal – foram suspensas. Instalou-se em todo o País um clima de medo e um regime de exceção onde o totalitarismo prevaleceu.

Após 1964, o País dividiu-se entre os que apoiavam as ações dos governantes responsáveis pela revolução e os que, contrários, a consideravam pura e simplesmente um Golpe Militar e ansiavam pelo retorno à situação de direito, como diziam às escondidas.

Os militares iam impondo a sua vontade e a sua força e os contra-revolucionários iam se organizando em grupos clandestinos, tentando encontrar formas e meios de resistirem. Ficaram conhecidos como subversivos e eram procurados e presos pelos milirares.

A esse grupo podemos agregar também os que ambicionavam a derrubada do regime militar, não para o retorno do estado de direito existente anteriormente, mas para a implantação de uma outra forma de governo, esquerdista, inspirado nos ideais comunistas, tendo como exemplo o governo adotado em Cuba, por Fidel Castro e seus seguidores.

O passar dos anos e a história recente do Brasil nos mostram alguns desses personagens ainda em evidência. Mas, contrariamente ao que pensavam, ao que pregavam e defendiam naqueles dias de subversão e de resistência ao regime militar, apresentam-se hoje como se tivessem sido, no passado, defensores do retorno do País ao um regime de democracia. Esta, no entanto, não é a verdade. Queriam objetivamente esses grupos, formado por marxistas originários em sua maioria do Partido Comunista do Brasil – PC do B, pela força, resistir ao governo militar que consideravam como usurpador, que havia deposto o Presidente da República, derrubá-lo e implantar uma ditadura popular de esquerda, comunista. Tinham como modelo e exemplos os movimentos e governos revolucionários liderados por Fidel Castro, ditador em Cuba e Mao-Tsé-Tung, ditador na República Popular da China.

Da mesma forma que o governo tinha simpatizantes, em todas as localidades do País havia também subversivos.

Nos grandes centros e nos pequenos vilarejos, os dois grupos se contrapunham. E se enfrentavam. A vantagem sempre era dos governistas porque podiam, com base em simples desconfianças, denunciar os que consideravam ou suspeitavam serem subversivos. Esses, quando denunciados, eram feitos prisioneiros políticos, em algumas vezes até torturados ou mortos. Consequentemente procuravam agir sempre às escondidas, na clandestinidade.

 Viviam vida dupla, procurando participar de ações contra o governo, mas procurando também, por outro lado, manter sempre suas atividades normais como despistes, para não levantar suspeitas que pudessem proporcionar motivos para suas prisões. Alguns grupos pegaram em armas, transformando ruas, praças e avenidas em campos de batalha. Mortes aconteceram de ambos os lados. Assaltos a bancos tornaram-se comuns, com o botim servindo, segundo os assaltantes, para financiar a aquisição de mais armas para fortalecer e continuar a sua luta. Já o governo considerava e divulgava que essas ações nada mais eram que roubos efetuados por quadrilhas de meliantes comuns, que se aproveitavam do momento para se fazerem passar por grupos políticos em resistência ao governo.

Quando perseguidos nas cidades grandes os contra-revolucionários embrenhavam-se pelo interior, onde faziam treinamentos práticos de guerrilha. A chamada guerrilha urbana, uma forma de atacar de forma súbita e desaparecer de forma mais rápida ainda. Esse era o Brasil de ponta a ponta após 1964.

O Governo Militar se sustenta até quando, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo de Almeida Neves é eleito Presidente da República, através de uma eleição indireta feita através de um Colégio Eleitoral composto pelos membros do Congresso Nacional (Senadores e Deputados). O Senador por Minas Gerais, representando o PMDB, que era oposição ao Governo, obteve 480 votos e seu adversário Paulo Maluf, Deputado Federal por São Paulo representante do PDS, que apoiava o Governo, 180 votos. Aconteceram ainda 19 abstenções e 9 ausências. 

A vitória de Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, foi o resultado de um processo de reivindicação popular pelo retorno ao regime democrático.  O povo brasileiro não suportava mais a ditadura militar instalada desde 1964.

(Continua na próxima semana)

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