Arquivos Mensais: junho 2020

Operation Mutum – THE SET

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( Episode 3)

Brazil had undergone a major political transformation in 1964, when a political revolution took place that put the Federal Government and the country under a military regime, led by a President chosen by the three arms, Army, Navy and Air Force, without the people being able to participate Choice. A new constitution replaced that which existed until then. The individual rights and guarantees were suspended under the plea of ​​defense of the regime and a dictatorship implanted, undated for the future return to democratic principles.

The Brazilian people watched everything without great resistance. A little because of the extinction of the political parties existing before 1964, but mainly because of the imposition by the revolutionaries of a regime of force, supported by the violent actions of repression against those who were against the new regime. The Executive Power took precedence over the other constitutional powers – Legislative and Judiciary.

The direct elections for the political choice of the rulers in the three levels – Federal, State and Municipal – were suspended. A climate of fear and an exception regime where totalitarianism prevailed was established throughout the country.

After 1964, the country was divided between those who supported the actions of the rulers responsible for the revolution and those who opposed it considered it purely and simply a military coup and yearned for a return to the legal situation, as they said in secret.

The military was imposing its will and strength and the counterrevolutionaries were organizing themselves into clandestine groups, trying to find ways and means to resist. They became known as subversives and were wanted and arrested by the military.

We can also add to this group those who aspired to the overthrow of the military regime, not for the return of the previous rule of law, but for the implementation of another leftist form of government inspired by communist ideals, taking as an example the adopted government In Cuba, by Fidel Castro and his followers.

The passing of the years and the recent history of Brazil show us some of these characters still in evidence. But contrary to what they thought, what they preached and defended in those days of subversion and resistance to the military regime, they present today as if they had been in the past defenders of the return of the country to a regime of democracy. This, however, is not the truth. They objectively wanted these groups, formed by Marxists originally from the Communist Party of Brazil – PC do B, by force, resist the military government they considered as usurper, who had deposed the President of the Republic, overthrow it and establish a popular dictatorship Of left, communist. They had as model and examples the revolutionary movements and governments led by Fidel Castro, dictator in Cuba and Mao-Tsé-Tung, dictator in the People’s Republic of China.

In the same way that the government had sympathizers, in all the localities of the Country there were also subversives.

In the great centers and in the small villages, the two groups were in opposition. And they faced each other. The advantage always was of the governors because they could, on the basis of simple distrusts, denounce those who considered or suspected to be subversive. These, when denounced, were made political prisoners, sometimes even tortured or killed. Consequently they always tried to act in secret, in the underground.

They lived a double life, seeking to participate in actions against the government, but also seeking, on the other hand, to always keep their normal activities as abstruse, not to raise suspicions that could provide reasons for their arrests. Some groups took up arms, turning streets, squares, and avenues into battlefields. Deaths occurred on both sides. Bank robberies have become commonplace, with the booty serving, according to the robbers, to finance the acquisition of more weapons to strengthen and continue their struggle. The government considered and divulged that these actions were nothing more than robberies made by gangs of ordinary people who took advantage of the moment to impersonate political groups in resistance to the government.

When persecuted in the big cities, the counterrevolutionaries raided the interior, where they practiced guerrilla training. The so-called urban guerrilla, a form of attacking suddenly and disappearing even faster. This was Brazil from end to end after 1964.

The Military Government is sustained until when, on January 15, 1985, Tancredo de Almeida Neves is elected President of the Republic, through an indirect election made through an Electoral College composed of members of the National Congress (Senators and Deputies). The Senator for Minas Gerais, representing the PMDB, who was opposed to the Government, obtained 480 votes and his opponent Paulo Maluf, Federal Deputy for São Paulo representative of the PDS, who supported the Government, 180 votes. There were also 19 abstentions and 9 absences.

The victory of Tancredo Neves, in the Electoral College, was the result of a process of popular demand for the return to the democratic regime. The Brazilian people could not stand the military dictatorship installed since 1964.

(Continues next week))

operação mutum – O cenário

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(Episódio 3)

O Brasil havia passado por uma grande transformação política em 1964, quando aconteceu uma revolução política que colocou o Governo Federal e o País sob regime militar, dirigido por um Presidente escolhido pelas três armas, Exército, Marinha e Aeronáutica, sem que o povo pudesse participar dessa escolha. Uma nova Constituição substituiu a que existia até então. Os direitos e garantias individuais foram suspensos sob a alegação de defesa do regime e uma ditadura implantada, sem data para o retorno futuro aos princípios democráticos.

O povo brasileiro a tudo assistiu sem que acontecesse grande resistência. Um pouco em função da extinção dos partidos políticos existentes antes de 1964, mas, principalmente, pela imposição, pelos revolucionários de um regime de força, amparado pelas ações violentas de repressão a quem se colocasse contra o novo regime. O Poder Executivo passou a ter preponderância sobre os outros poderes constitucionais – Legislativo e Judiciário.

As eleições diretas para a escolha política dos governantes nos três níveis – Federal, Estadual e Municipal – foram suspensas. Instalou-se em todo o País um clima de medo e um regime de exceção onde o totalitarismo prevaleceu.

Após 1964, o País dividiu-se entre os que apoiavam as ações dos governantes responsáveis pela revolução e os que, contrários, a consideravam pura e simplesmente um Golpe Militar e ansiavam pelo retorno à situação de direito, como diziam às escondidas.

Os militares iam impondo a sua vontade e a sua força e os contra-revolucionários iam se organizando em grupos clandestinos, tentando encontrar formas e meios de resistirem. Ficaram conhecidos como subversivos e eram procurados e presos pelos milirares.

A esse grupo podemos agregar também os que ambicionavam a derrubada do regime militar, não para o retorno do estado de direito existente anteriormente, mas para a implantação de uma outra forma de governo, esquerdista, inspirado nos ideais comunistas, tendo como exemplo o governo adotado em Cuba, por Fidel Castro e seus seguidores.

O passar dos anos e a história recente do Brasil nos mostram alguns desses personagens ainda em evidência. Mas, contrariamente ao que pensavam, ao que pregavam e defendiam naqueles dias de subversão e de resistência ao regime militar, apresentam-se hoje como se tivessem sido, no passado, defensores do retorno do País ao um regime de democracia. Esta, no entanto, não é a verdade. Queriam objetivamente esses grupos, formado por marxistas originários em sua maioria do Partido Comunista do Brasil – PC do B, pela força, resistir ao governo militar que consideravam como usurpador, que havia deposto o Presidente da República, derrubá-lo e implantar uma ditadura popular de esquerda, comunista. Tinham como modelo e exemplos os movimentos e governos revolucionários liderados por Fidel Castro, ditador em Cuba e Mao-Tsé-Tung, ditador na República Popular da China.

Da mesma forma que o governo tinha simpatizantes, em todas as localidades do País havia também subversivos.

Nos grandes centros e nos pequenos vilarejos, os dois grupos se contrapunham. E se enfrentavam. A vantagem sempre era dos governistas porque podiam, com base em simples desconfianças, denunciar os que consideravam ou suspeitavam serem subversivos. Esses, quando denunciados, eram feitos prisioneiros políticos, em algumas vezes até torturados ou mortos. Consequentemente procuravam agir sempre às escondidas, na clandestinidade.

 Viviam vida dupla, procurando participar de ações contra o governo, mas procurando também, por outro lado, manter sempre suas atividades normais como despistes, para não levantar suspeitas que pudessem proporcionar motivos para suas prisões. Alguns grupos pegaram em armas, transformando ruas, praças e avenidas em campos de batalha. Mortes aconteceram de ambos os lados. Assaltos a bancos tornaram-se comuns, com o botim servindo, segundo os assaltantes, para financiar a aquisição de mais armas para fortalecer e continuar a sua luta. Já o governo considerava e divulgava que essas ações nada mais eram que roubos efetuados por quadrilhas de meliantes comuns, que se aproveitavam do momento para se fazerem passar por grupos políticos em resistência ao governo.

Quando perseguidos nas cidades grandes os contra-revolucionários embrenhavam-se pelo interior, onde faziam treinamentos práticos de guerrilha. A chamada guerrilha urbana, uma forma de atacar de forma súbita e desaparecer de forma mais rápida ainda. Esse era o Brasil de ponta a ponta após 1964.

O Governo Militar se sustenta até quando, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo de Almeida Neves é eleito Presidente da República, através de uma eleição indireta feita através de um Colégio Eleitoral composto pelos membros do Congresso Nacional (Senadores e Deputados). O Senador por Minas Gerais, representando o PMDB, que era oposição ao Governo, obteve 480 votos e seu adversário Paulo Maluf, Deputado Federal por São Paulo representante do PDS, que apoiava o Governo, 180 votos. Aconteceram ainda 19 abstenções e 9 ausências. 

A vitória de Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, foi o resultado de um processo de reivindicação popular pelo retorno ao regime democrático.  O povo brasileiro não suportava mais a ditadura militar instalada desde 1964.

(Continua na próxima semana)

Amorecio

Edival Lourenço, em “Poesia Reunida – 1983-2013”. 1ª ed., São Paulo: Editora Ex-Machina, 2014, p.  280.


We are children of rude poetry
of those who loved in sweat and without rhetoric
in the heroic multiplier lead
of the beings of the most holy excrescence
(in the abstract the supreme being portrayed …)
nothing more than the explosion of the tiny instant
or in the infinite open parenthesis
that goes from nothing to everything, especially
if we are (ch) birds) of innocence and fire,
we are all objects of pleasure
in (inter) those of mother nature;
doors of the real, birds of love,
with our green tireless wings
we will cross the blue in chronic (sin) flight.

Amorecio

Edival Lourenço, em “Poesia Reunida – 1983-2013”. 1ª ed., São Paulo: Editora Ex-Machina, 2014, p.  280.

Somos filhos da rude poesia

de quem amou em suor e sem retórica

na heroica lide multiplicadora

dos seres da santíssima excrescência

(em abstrato portasse o ser supremo…)

nada mais que a explosão do exíguo instante

ou no infinito parêntese aberto

que vai do nada ao tudo, sobretudo

se formos (ch)aves) de inocência e fogo,

somos todos objetos do prazer

nos (inter)esses da mãe-natureza;

portas do real, aves do amorecio,

com nossas verdes asas incansáveis

cruzaremos o azul em voo (sin)crônico.

The fish in my river

Darcy França Denófrio, em “Amaro mar”. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.


On the reverse, the story of my verses.
Inside out, the pure plaster song,
that stands on the blue of the legend,
in the balance of the thread that (between) I weave.

On the surface, the night scam
of sharp and flat sharps.
On the surface, cold fraud
and the fog over a thousand sheets.

It’s at the bottom of the water, at the turkeys,
that live in the fish of my river.
It is in the backwater that some iara
always dodges lonely.

Suddenly, the scare of the trap,
a recurve hook – steel and bait –
but my fish do not surrender,
they just taste lightly, they scratch.

Os peixes do meu rio

Darcy França Denófrio, em “Amaro mar”. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.


No reverso, a história de meus versos. 
No avesso, a pura canção de gesso, 
que se sustenta no azul da lenda, 
no equilíbrio do fio que (entre)teço. 
Na superfície, a frauta noturna 
de sustenidos ais e bemóis. 
Na superfície, a fraude fria 
e a neblina sobre mil lençóis. 
É no fundo d’água, nos peraus, 
que moram os peixes de meu rio. 
É no remanso que alguma iara 
sempre se esquiva solitária. 
De repente, o susto da cilada, 
um anzol recurvo – aço e isca –  
mas os meus peixes não se entregam, 
apenas provam de leve, triscam.

Heart elements

Rosalvo Acioli Júnior, in “Ash inventory”. Rio de Janeiro: Editora Íbis Libris, 2014.


In the air is my heart –
breastplate of dreams,
that pulsates eternal passions.

In the fire is my heart –
extreme light
that crackles my substances.

On earth is my heart –
ash sentry
that keeps my juices.

In the water is my heart –
touchstone
that flows my disappointments.

Elementos do coração

Rosalvo Acioli Júnior, em “Inventário de cinzas”. Rio de Janeiro: Editora Íbis Libris, 2014.


No ar está meu coração –
couraça de sonhos, 
que pulsa paixões eternas.
No fogo está meu coração – 
extremo de luz
que crepita minhas substâncias.
Na terra está meu coração – 
sentinela de cinzas
que guarda meus sumos.
Na água está meu coração – 
pedra de toque
que deságua meus desenganos.

Ways

Gilberto Mendonça Teles, no livro “Hora aberta – Poemas reunidos”. [organização, introdução e notas de Eliane Vasconcellos; prefácio Ángel Marcos de Dios]. 4ª ed., aumentada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.


If we walk together,
if we share together,
who knows of the resignation
that will lead us?

Who knows of the attempts
so far, so close,
that we love in silence
as a secret of ours?

Who knows the way,
if everything is so nocturnal
and the dream is like a bell
beyond, beyond the world?

Caminhos

Gilberto Mendonça Teles, no livro “Hora aberta – Poemas reunidos”. [organização, introdução e notas de Eliane Vasconcellos; prefácio Ángel Marcos de Dios]. 4ª ed., aumentada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.


Se caminhamos juntos,
se juntos dividimos,
quem sabe da renúncia
que nos vai conduzindo?

Quem sabe dos intentos
tão distantes, tão próximos,
que amamos em silêncio
como um segredo nosso?

Quem sabe do caminho,
se tudo é tão noturno
e o sonho é como um sino
além, além do mundo?

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