Arquivos Mensais: junho 2020

ANA’S SONG

Many years ago, in 1979, I went through the biggest challenge I have ever faced in my entire life: to continue my existence after tragically losing a five-year-old daughter, Juliana. Killed in a traffic accident, run over two blocks from our residence.
As a stronger consequence, a year later, in 1980, Angela, my wife, became hypertensive and was victimized by a cerebral aneurysm, becoming paraplegic.
I considered that the misfortunes had been excessive and, in the search for a culprit, I turned away from God, the only one to whom I could attribute the blame for what I was going through. I did not accept that, knowing how much I believed in Him, and I trusted in His power, I had not been defended so that none of that happened to me.
On that occasion, when friends became scarce, the family could no longer bear to witness our suffering and listen to our complaints, so that we could adapt to a new, suffering life, I was visited by a person who presented me with a Bible. My reaction was cold. I asked her to leave it in some corner and so she did, placing it open on a shelf in the living room.
I continued my daily suffering for some time until one day, for no special reason, I picked up the Bible that was already forgotten, and I looked over it. It was open in the First Book of Kings (I Kings). I was curious and read Ana’s Song (Chapter 2 of 1 Kings).

“My heart rejoiced in the Lord, and my strength was exalted in my God: my mouth was enlarged to respond to my enemies; because I rejoiced in the salvation that comes from you.
There is no saint, as is the Lord: because there is no other outside of you, and none as strong as our God.
Do not try to talk so much, boasting about high things: the old language does not come out of your mouth anymore: for God who knows everything is the Lord, and thoughts are prepared for Him.
The arc of the strong was broken, and the weak were armed with force.
Those who were once abundant of goods, hired themselves to have bread: and the hungry were satisfied, and even the barren had many children: and the one who had many, was unable to have them.
THE LORD IS THE ONE THAT TAKES LIFE AND GIVES IT, LEADS TO THE GRAVE AND TAKES IT FROM IT.
The Lord is the one who impoverishes and enriches: HE SLAUGHTERS AND RAISES.
He raises the dust to the needy, and manure raises the poor: to make him sit among princes, and to give him a throne of glory. The Lord’s are the poles of the earth and under them they have put the world.
He will keep the feet of his saints, and the wicked will remain silent in the darkness: for man will not be strong in his strength.
Your enemies will tremble from the Lord: and He will thunder over them from heaven: the Lord will judge the ends of the earth, and will give the empire to his king, and will sublimate the glory of his CHRIST. ”
Today, every time I go through moments like the one when I said goodbye, for the last time of my dear, innocent, pure and beautiful little girl, I remember some things that make me stand up again and move on:
. never, but never, I will forget it and I want to remind you every day that I still live.
. the Lord takes life and gives it, takes it to the grave and takes it away. It is He who slaughters and raises.
. there will always be, somewhere, someone who still needs my strength because he is weaker than me.
. The Lord has slaughtered me, but He will raise me up again.
The Song of Ana was able, alone, to recover, to be reborn, to strengthen and to justify every day my faith, today unshakable, in God.

O Cântico de ana

Há muitos anos, em 1979, passei pelo maior desafio que já enfrentei em toda a minha vida: continuar a minha existência depois de perder, de maneira trágica, uma filha de cinco anos, Juliana. Morta em um acidente de trânsito, atropelada a dois quarteirões da nossa residência.

Como consequência mais forte, um ano depois, em 1980,  Ângela, minha espôsa, ficou hipertensa e foi vitimada por aneurisma cerebral, tornando-se paraplégica.

Considerei que as desgraças tinham sido excessivas e, na procura de um culpado, afastei-me de Deus, o único a quem pude atribuir as culpas pelo que eu estava passando. Não aceitava que, sabendo o quanto eu cria n’Ele,  e confiava no Seu poder, não tivesse sido defendido para que nada daquilo me acontecesse.

Nessa ocasião, quando os amigos rareiam, a família não mais aguentando presenciar o nosso sofrimento e ouvir as nossas lamúrias se distancia para que nos adaptemos a uma nova vida, sofrida, recebi a visita de uma pessoa que me presenteou com uma Bíblia. A minha reação foi fria. Pedi que a deixasse em um canto qualquer e assim ela fez, colocando-a aberta sobre uma estante, na sala.

Continuei por algum tempo o meu sofrer diário até que um dia, sem nenhum motivo especial, apanhei a Bíblia que estava já esquecida, e corri os olhos por ela. Estava aberta no Primeiro Livro de Reis ( I Reis). Tive a curiosidade despertada e li o Cântico de Ana (Capítulo 2 de I Reis).

“O meu coração exultou no Senhor, e a minha força foi exaltada no meu Deus: a minha boca se dilatou para responder a meus inimigos; porque me alegrei na salvação que vem de ti.

Não há santo, como é o Senhor: porque não há outro fora de ti, e nenhum tão forte como o nosso Deus.

Não queirais falar tanto, vangloriando-vos de coisas altas: não saia mais da vossa boca a antiga linguagem: porque Deus que tudo sabe é o Senhor, e para Ele se preparam os pensamentos.

O arco dos fortes se quebrou, e os fracos foram armados de força.

Os que antes estavam abundantes de bens, assalariaram-se para terem pão: e os famintos se fartaram, e até a estéril teve muitos filhos: e a que tinha muitos, se impossibilitou de os ter.

O SENHOR É O QUE TIRA A VIDA E A DÁ, LEVA À SEPULTURA E TIRA DELA.

O Senhor é o que empobrece e enriquece: ELE ABATE E ELEVA.

Levanta do pó ao necessitado, e do esterco eleva o pobre: para o fazer assentar entre os príncipes, e para lhe dar um trono de glória. Do Senhor pois são os polos da terra e sob re eles pôs o mundo.

Ele guardará os pés dos seus santos, e os ímpios ficarão mudos nas trevas: porque o homem não será forte na sua robustez.

Do Senhor tremerão seus inimigos: e Ele trovejará sobre eles dos céus: o Senhor julgará as extremidades da terra, e dará o império ao seu rei, e sublimará a glória do seu CRISTO.”

Hoje, cada vez que passo por momentos como aquele em que me despedi, pela última vez da minha querida, inocente, pura e linda filhinha, me lembro de algumas coisas que me fazem ficar de pé, novamente, e seguir em frente:

. nunca, mas nunca mesmo, vou esquecê-la e quero lembrá-la todos os dias que eu ainda viver.

.  o Senhor é que tira a vida e a dá, leva à sepultura e tira dela. É Ele que abate e eleva.

.  haverá, sempre, em algum lugar, alguém que precisa ainda da minha força porque está  mais enfraquecido que eu.

. O Senhor me abateu, mas irá novamente me elevar.

O Cântico de Ana foi capaz, sozinho, de recuperar, fazer renascer,  fortalecer e justificar a cada dia a minha fé, hoje inabalável, em Deus.

Daydreams

Mulher, Moda, Retrato, Menina, Encanto

My disconnected, uncontrolled, crazy thoughts,
invade my sleep, turn into dreams,
burst into the night and dominate my sleeping body.
Struggling to impose a will that has been denied before,
who thought she was lost
and rejected by the logic of life already almost hopelessly ended,
my helpless body surrenders and no longer resists.

There is no logic in the invasion of dreams
for real fantasy.
Nor is there any logic
in wanting the impossible.
In the morning,,
waking you up will send my dreams
for oblivion.

Devaneios

Mulher, Moda, Retrato, Menina, Encanto

Meus pensamentos desconexos, descontrolados, loucos,

invadem o meu sono, transformam-se em sonhos,

irrompem na noite e  dominam meu corpo adormecido.

Lutando para impor uma vontade já negada antes,

que julgava perdida

e rejeitada pela lógica da vida já quase irremediavelmente finda,

meu corpo impotente se entrega e não mais resiste.

Não existe  nenhuma lógica na invasão dos sonhos

pela real fantasia.

Nem existe nenhuma lógica

em se querer o impossível.

Pela manhã,,

o acordar mandará os meus sonhos

para o esquecimento.

The Damist

Conselho, Jogo, Jogo De Damas, Jogar

At that time I was twelve years old and spent most of my time in Zequita’s barber salon, right next to my grandfather’s house, in the square. There, I shined customers’ shoes. The room had a complete, tall, metal shoeshine chair, two large drawers where all the material needed for a good shine in any type of shoe was kept.
I earned a percentage for the number of shined pairs, which represented a sufficient amount of money for my spending on nonsense. And the guarantee of admission on Sundays to see the Sports games.
When he didn’t have shoes to shine, he played checkers with Zequita or with anyone who showed up and wanted a party. There were good players and I, although at a young age, did not look bad with any of them.
I remember some who passed by the salon on weekends: Dr. Humberto, Délcio, Moacyr Braga, Doctor Adair, Juracy Curtinhas, Bastinho, Sebastião Alfaiate, Getúlio, Cabo Bruno, Mestre, Merrinho, Pelé, Sebastião Pelé, Adolfinho, among several others that I had the honor of facing in incredible matches.
In addition to the Zequita salon, there were checkerboards in other places, too, such as the barber salon of Seu João Morais, father of Gessé and Zé Morais, who were also good players, in the ballroom of Tringolingo and Clube Mutuense.
The best games always took place on Saturdays, when Zequita’s barber salon was full, with all the chairs occupied, and on Sunday mornings, because in the afternoons everyone had a commitment to Sport with Tringolingo, on Rua’s soccer field. from beach. Tringolingo was the Independente Futebol Clube, with its yellow shirt like that of the Brazilian team. Esporte Clube Mutum, the oldest and most traditional, had a red shirt, like that of América in Rio de Janeiro. I had the privilege of playing both. Over the years, they were unified and the name of the oldest, Sport, prevailed.
Let’s go back to the Checkers Game.
One morning I was in the salon when a man came to shine his shoes. While I was shining, he was watching the players closely. He was a black man in his fifties, smiling and friendly.
He finished shining and stood there near the board, sapando. Frog was what we called the assistant who stood beside us when we played, cheering for one or the other player and, sometimes, laughing at a wrong move or even guessing when we thought there was a move that we, the players of moment, we hadn’t realized. We often adopted the procedure that we called “deceiving the frog”, which was to see a clear and logical move and make another one, completely inseparable, just to see the “frog sizzle” and have fun as his frustration at not making the move that he expected. It was a dangerous procedure because, in the game of checkers, there are not many possibilities for variation without some complications. But the frog was well worth provoking.
In the case at hand, which I am remembering and reporting, the man whose shoes I had shined was not a flat frog. He was watching the game all the time with an attentive eye, without even shaking his head when one move or another caused the frogs to shake.
When the board was free, he sat down and asked who could play a game with. Soon Zequita looked at the shoeshine chair and seeing that I wasn’t shining, he said I knew how to play and he signaled me to accept the game.
I remember that the frogs were gone and that we started playing with the empty room. Our first matches were play by play, being always decided in the final plays. Then, I started losing always, more and more easily. As much as I tried to resist, I couldn’t. So, I said there was no way, that I couldn’t but harden the game. Then you started talking, praising my way of playing and trying to encourage me. And introduced himself.
He was called Messias, he was a postal worker in Juiz de Fora, he was in Mutum just for a special line checking service and he always competed in the Brazilian Checkers Championship. He praised my game once again and, opening a folder he took with him, showed us some newspaper clippings with reports of Tournaments and Championships in which he had already participated in several places in Brazil, always with great prominence. He was shot better than all of us. So, he became interested in knowing where and how I learned to play checkers.
I told him that I had learned from my Uncle Levy, with whom he played checkers and chess when he came to visit us, on vacation.
Lord Messiah chuckled and told me it was not what he was asking. When I showed my disagreement, he explained to me that, at the beginning of our matches, I had really played in a bold and safe way that he was surprised and had to dedicate himself a lot to win me.

But it was, little by little, But it was, little by little, studying my game and soon I soon had no more difficulty in dominating and winning. Then he asked me if I read Correio da Manhã, a famous newspaper of the time. I said yes and he asked me if I knew Damista, which I confirmed.
Damista was a section of Correio da Manhã that featured the design of a checkerboard and a chessboard, with plays to be studied and decorated, always prepared by some of the best damistas and chess players in Brazil. I used to cut and collect these plays and use them against my opponents when I played at Salão do Zequita.
The Lord Messiah asked me if I had kept some of these clippings and I promptly ran over to the house, which was on the side of the Hall, to search and show him.
He then gave me the explanation for my performance so irregular, strong at the beginning of the first games and so weak in the final games.
Among my clippings there were games of matches that I had used that had, to my great surprise, been prepared and sent by someone who signed something, or rather Messiah, the very one I had faced. And he started to give me an indescribable wash on the checkerboard as soon as he identified, in my plays, his tips given in Damista. That I cut, studied and used in my games against my opponents at Salão do Zequita.
I met Senhor Messias the other day, a Monday morning, at Correios, where I was an apprentice telegraph operator along with Antonio Silvério, Pirulito, Bastinho’s nephew and Sebastião Curtinhas, Juracy’s nephew.
So that I would not be discouraged by the wash that I had taken in the salon, he gave me a portable tray as a gift, and several tips on how to improve my game, among them that I should continue reading, cutting and studying O Damista.

O Damista

Conselho, Jogo, Jogo De Damas, Jogar

Eu tinha naquela época doze anos e passava a maior parte do meu tempo no salão de barbeiro do Zequita, bem ao lado da casa do meu avô, na Praça. Lá, eu engraxava os sapatos dos clientes. O salão tinha uma cadeira de engraxate completa, alta, de metal, duas gavetas grandes onde ficava guardado todo o material necessário para um bom brilho em qualquer tipo de sapato.

Ganhava uma porcentagem por número de pares engraxados, o que representava um valor em dinheiro suficiente para os meus gastos com bobagens. E a agarantia do ingresso nos domingos para ver os jogos do Esporte.

Quando não tinha sapatos para engraxar, jogava damas com o Zequita ou com qualquer pessoa que por lá aparecesse e quisesse uma partidinha. Havia bons jogadores e eu, embora com pouca idade, não fazia feio com nenhum deles.

Lembro-me de alguns que passavam pelo salão nos fins de semana: o doutor Humberto, Délcio, Moacyr Braga, Doutor Adair, Juracy Curtinhas, Bastinho, Sebastião Alfaiate, Getúlio, Cabo Bruno, Mestre, Merrinho, Pelé, Sebastião Pelé, Adolfinho, entre vários outros que tive a honra de enfrentar em partidas incríveis.

Além do salão do Zequita havia tabuleiros de damas também em outros locais, como o salão de barbeiro do seu João Morais, pai do Gessé e do Zé Morais, que também eram bons jogadores, no salão de festas do Tringolingo e no Clube Mutuense.

Os melhores jogos aconteciam sempre nos sábados, quando o salão de barbeiro do Zequita ficava cheio, com todas as cadeiras ocupadas, e nas manhãs de domingo, pois às tardes todos tinham compromisso com o Esporte cou com o Tringolingo, no campo de futebol da Rua da Praia. O Tringolingo era o Independente Futebol Clube, com sua camisa amarela como a da Seleção Brasileira. O Esporte Clube Mutum, o mais antigo e tradicional, tinha a camisa vermelha, como a do América do Rio de Janeiro. Tive o privilégio de jogar nos dois. Com o passar dos anos, foram unificados e prevaleceu o nome do mais antigo, o Esporte.

Voltemos ao Jogo de Damas.

Uma manhã, estava no salão quando chegou um senhor para engraxar os sapatos. Enquanto eu engraxava, ele olhava os jogadores com atenção. Era um senhor negro de uns cinquenta e poucos anos, risonho e simpático.

Terminou de engraxar e ficou ali perto da tabuleiro, sapeando. Sapo era como chamávamos o assistente que ficava do lado da gente quando a gente jogava, torcendo para um ou para o outro jogador e, às vezes, rindo de uma jogada errada ou até dando palpites quando pensava que havia uma jogada que nós, jogadores do momento, não havíamos percebido. Muitas vezes adotávamos o procedimento que chamaávamos de “enganar o sapo”, que era ver uma jogada clara e lógica e fazer uma outra, completamente inseperada, só para ver o “sapo chiar” e nos divertir como a sua frustração por não fazermos a jogada que ele esperava. Era um procedimento perigoso pois, no jogo de damas, não existem, para algumas jogadas, muitas possibilidades de variação sem que a gente se complique. Mas valia bem a pena provocar o sapo.

No caso em questão, do qual estou me lembrando e relatando, o senhor cujos sapatos eu engraxara, não era um sapo chato. Esteve durante todo o tempo apenas observando o jogo com olhar atento, sem nem balançar a cabeça quando uma jogada ou outra provocava a agitação dos sapos.

Quando o tabuleiro ficou livre, ele se sentou e perguntou com quem poderia jogar uma partidinha. Logo o Zequita olhou para a cadeira de engraxate e vendo que eu não estava engraxando, disse que eu sabia jogar e me fez um sinal para aceitar o jogo.

Lembro que os sapos já haviam saído e que começamos a jogar com o salão vazio. Nossas primeiras partidas foram pau a pau, sendo decididas sempre nas jogadas finais. Depois, comecei a perder sempre, de forma cada vez mais fácil. Por mais que eu tentasse resistir, não conseguia. Então, eu disse que não tinha mais jeito, que eu não conseguia mas endurecer o jogo. Então o senhor começou a falar, elogiando a minha forma de jogar e tentando me estimular. E se apresentou.

Ele se chamava Messias, era fncionário dos Correios em Juiz de Fora, estava em Mutum apenas para um serviço especial de verificação de linha e disputava, sempre, o Campeonato Brasileiro  de Damas. Elogiou mais uma vez o meu jogo e, abrindo uma pasta que levava consigo, nos mostrou alguns recortes de jornais com relatos de Torneios e Campeonatos dos quais já participara em vários locais do Brasil, sempre com grande destaque. Ele era disparado melhor que todos nós. Então, interessou-se em saber onde e como eu aprendera a jogar Damas.

Disse-lhe que aprendera com o meu Tio Levy, com quem jogava Dama e Xadrez quando ia nos visitar, em períodos de férias.

O Senhor Messias deu uma risadinha e me disse que não era aquilo que estava perguntando. Quando eu me mostrei desentendido, ele me explicou que, no início das nossas partidas, eu realmente havia jogado de uma forma atrevida e tão segura que ele ficara surpreso e teve que se dedicar muito para me vencer. Mas que foi, aos poucos, estudando o meu jogo e logo logo não teve mais nenhuma dificuldade em me dominar e vencer. Depois, ele me perguntou se eu lia o Correio da Manhã, um jornal famoso da época. Eu disse que sim e ele me perguntou se eu conhecia O Damista, o que eu confirmei.

O Damista era uma seção do Correio da Manhã que trazia o desenho de um tabuleiro de Damas e um tabuleiro de Xadrez, com jogadas para serem estudadas e decoradas, sempre preparadas por alguns dos melhores damistas e enxadristas do Brasil. Eu tinha por costume cortar e colecionar essas jogadas e usá-las contra os meus adversários quando jogava no Salão do Zequita.

O Senhor Messias me perguntou se eu tinha guardado alguns desses recortes e eu, prontamente, corrí lá em casa, que era do lado do Salão, para buscar e mostrar a ele.

Deu-me então as esplicações para o meu desempenho tão irregular, forte no inicio das primeiras partidas e tão fraco nas partidas finais.

Dentre os meus recortes haviam lances de partidas que eu usara que tinham sido, para a minha grande surpresa, preparadas e enviadas por alguém que assinava M alguma coisa, ou melhor Messias de tal, o próprio que eu enfrentara. E que passou a me dar uma indescritível lavada no tabuleiro de damas assim que identificou, nas minhas jogadas, as suas dicas dadas no Damista. Que eu recortava, estudava e usava nas minhas partidas contra os meus adversários no Salão do Zequita.

Encontrei-me com o Senhor Messias no outro dia, uma segunda-feira, pela manhã, nos Correios, onde eu era aprendiz de Telegrafista junto com o Antonio Silvério, o Pirulito, sobrinho do Bastinho e o Sebastião Curtinhas, sobrinho do Juracy.

Para que eu não desanimasse da lavada que tomara no salão, deu-me de presente um tabuleiro portátil, e vários conselhos de como melhorar o meu jogo, entre eles o de que deveria continuar lendo, recortando e estudando O Damista.