operação mutum – A ORIGEM

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(Episódio 2)

Mutum ao contrário do que o nome pode sugerir, não é nenhuma dessas metrópoles modernas e superpovoadas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Salvador, com as quais só tem semelhança por estar, também, situada no Brasil. Pelo contrário, é uma pequena cidade de Minas Gerais, distante por rodovia uns trezentos e poucos quilômetros de Belo Horizonte, Capital do Estado, para onde acorrem os mutuenses, nome dado a quem nasce em Mutum, quando querem, como dizem por lá, tomar um banho de civilização.

 Só não gostam, quando estão na capital, de serem chamados de gente do interior. E nisto estão certos, uma vez que Mutum, na realidade, em linha reta, dista não mais de setenta ou, quando muito, oitenta quilômetros do mar que banha as costas do Espírito Santo. Mutum, portanto, é uma cidade mais litorânea que Belo Horizonte. Esta, sim, uma cidade do interior. Foi lá, em Mutum, que fui criado.

Meu nascimento ocorreu dias antes de os meus pais se mudarem do pequeno vilarejo chamado Assaraí, pertencente à época ao município vizinho de Ipanema, onde moravam, para outra cidade, Aimorés, também próxima de Mutum, onde, segundo pensavam, a vida lhes seria mais promissora. O distrito de Assaraí hoje pertence ao município de Pocrane. O município de Pocrane foi desmembrado do município de Ipanema em 1948, passando a ter, como distritos, além de Assaraí, Barra da Figueira, Vila de Cachoeirão e Vila de Taquaral.

Para chegarem à cidade de Aimorés, para onde estavam se mudando, teriam que passar por Mutum, onde moravam os meus avós, Olívio e Cotinha, pais de minha mãe.

 Segundo me disseram bem mais tarde, quando já me entendia por gente, eu, na época da mudança da minha família, adoeci e, com dois meses de idade, fui deixado na casa dos meus avós, para que cuidassem de mim até que eu pudesse, depois de curado, ir para a companhia dos meus pais e de meus irmãos. Só que nada disso aconteceu porque eu, simplesmente, depois de curado, com mais ou menos seis meses de idade, neguei-me a sair da companhia dos meus avós, demonstrando isso através de prantos e birras muito convincentes.

Os meus avós, por sua vez, reforçando a minha vontade de ficar, não me quiseram entregar de volta, prometendo cuidarem de mim como se fossem eles próprios os meus pais. Assim, acabei ficando e vivendo com eles por mais de vinte e dois anos.

Mais tarde, os meus pais mudaram-se em definitivo para Mutum, onde minha mãe tornou-se professora primária estadual e meu pai funcionário da Prefeitura Municipal.

 Mesmo morando na mesma cidade onde moravam os meus pais, continuei morando com os meus avós. Visitava os meus pais em sua casa todos os dias. Mas morava com os meus avós. Eu tinha uma forma especial de me dirigir a eles. Aos meus avós eu chamava de Pai e de Mãe. Ao meu pai chamava Paiplício (ele se chamava Simplício) e à minha mãe chamava Mãeoutra (a minha mãe foi Geracy).

Em Mutum vivi a minha infância e minha adolescência. Iniciei meus estudos e, no único colégio da cidade na minha época, conclui o primeiro e o segundo graus.

Como era devorador de livros e tinha ânsia de escrever, logo cedo me envolvi com a nata da cultura local, formada por uma elite privilegiada que tinha acesso às informações atualizadas, de toda parte do mundo.

 Estava sempre bem informado e abastecido de livros, jornais e revistas para saciar a minha fome de leitura. Como consequência, me via sempre envolvido na criação de grêmios literários e jornais acadêmicos, daí nascendo a minha vontade de um dia ser jornalista. Assim, antes de tornar-me o que sou hoje, professor, acabei, primeiramente, sendo jornalista, após mudar-me para a Capital, em 1969, onde permaneço residindo até este ano de 2016.

 Foi em Belo Horizonte, no ano de 1975, que os acontecimentos que vou relatar me alcançaram.

(Continua na próxima semana)

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